Google+ Followers

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Texto raso


E tudo voltou ao normal. Tenho uma pilha de roupa para guardar, tenho que trocar a roupa de cama, lavar o carro por dentro e por fora, conter meus sonhos megalomaníacos e fazer algo para deixar de ser tão passivo.

Falar e falar, pensar e pensar pelo visto não adianta mais, mas um dia já adiantou?

Encontro-me todo dia, numa honestidade quase que divina questionando-me: o quê poderia eu fazer para um fim diferente haver?

Entra ano e sai ano e os aumentos são inseridos no meu orçamento. Gasolina, seguro de carro, passagem de ônibus, o pipocão na rua, o meu sagrado chocolate e até o motel. Todo ano tudo aumenta, menos o meu salário.

Quero deixar claro que a bronca não está no não aumento do meu salário, mas sim no aumento de tudo que não é o meu salário.

Acho lindas as justificativas (in)coerentes que me são dadas. Não seria melhor me dizer “quero a sua grana e pronto”? O que acho mais lindo é que essas “justificativas incoerentes” mais são aceitas quando a história muda. Quando sou eu que meto a mão no bolso dos outros e digo: Brother, à vista você faz por quanto? Nesse momento a (in)coerência se torna roubo, tendo na figura do eu, o agente do roubo.

Incrível né?

Mais incrível ainda é a minha passividade. Não quero nem saber de você, das suas ações, e não o quero faz um bom tempo. Quero saber de mim. Quero voltar a dormir. Nunca tive insônia e agora tenho. Também, nunca dei tanto valor as minhas horas de trabalho. São graças a elas que recebo meu salário no fim do mês.

Percebi hoje, que enfim descobri o motivo pelo qual não durmo, o motivo pelo qual me sinto quase sempre incomodado: Estão me roubando todo dia, na cara dura e o pior, eu estou vendo e não faço ideia de como posso pará-los.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Fim!

Não é porque o assunto acabou

Nem porque pedi a inspiração

O tempo me consome

Mas, a vontade de escrever não some

O que sumiu foi a vontade de expurgar

O que surgiu foi a vontade de viver

O presente que é meu presente!

Ao expurgar deixo de viver

Passarei mais tempo vivendo

Vem comigo?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Felicidade.

"Quantas vezes eu soltei foguete
Imaginando que você já vinha
Ficava cá no meu canto, calado
Ouvindo a barulheira que a saudade tinha!"

Está lá, naquele canto da varanda
Escondido entre a fulô de mãe e os cigarros de pai
O menino sentado, mas não escondido
Tampouco fora repreendido
Estava só apreensivo
A menina de fulô na cabeça, vestido rendado e justo estava prestes a passar
Com a carne enrolada no jornal de ontem
Ele para não bandeira içar
Ficava no canto a espreitar o desfile da moça
Cismático, não mexia-se
Inebriado, não apercebe-se a dormência nas pernas
Excitado, não ouvia a mãe chamar
Concentrado, não sentiu o cheiro de carne
Aflito, vê o tempo avançar
Confuso, enumera os porquês dela hoje não desfilar
Taquecardeado, apodera-se duma sombra calma sobre si
Com medo, vira-se para ver quem é
Movimentando-se, olfateia o cheiro dela mais perto que o normal
Feliz, enxerga-a ali, parada olhando-o dentro da alma
Mudo, sorri
Em reboliço, escuta o convite
Flutuando, vai com ela, o jornal e a carne andar
Em êntase, chega em casa e vai escrever
Com os olhos anundados d'água, canta...

"Você chegou no amiudar do dia
Eu nunca mais senti tanta alegria
Se eu soubesse soltava foguete
Acendia uma fogueira
E enchia o céu de balão!"

domingo, 30 de novembro de 2014

O pronome certo!

Uma, traquecardeou-me

Algumas, retiraram-me as forças

Aquela, foi sem vontade

Nela, não quero mais voltar.


Procuro ELA!!


Onde o beijo apenas será beijo

Onde o beijo apenas dure!


Achei!



(Ao som de "La Edad Del Cielo", Jorge Drexler.)

domingo, 2 de novembro de 2014

Minha calma.


Fui dormir no quarto de mamãe
Mesmo ela não estando
Precisava de colo.

Acordei doente
Querendo longe estar.

Programei-me ir
Você chegou e sorriu.

Desisti.

Vou ficar aqui para ver você sorrir.

Ao final do dia
Você se foi
Não está mais aqui.

Quem permanece 
É a vontade de ir
Ela permanece aqui dentro.

Pego a mochila e o walkman e vou.

No caminho lembro de ti
Vejo o seu sorriso quando fecho os olhos
Sinto o seu cheiro quando respiro.

Volto para a cama de mamãe 
Para dormir em paz
Para esperar as horas passarem 
Para te ver sorrir de novo amanhã!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ciclo

Demorou
Enfim no meu braço

Medo
Inexperiência
Não saber o que fazer

Do mesmo jeito que chegaste
Ficaste
Sem intenção
Sem invenção
Simplesmente chega e fica.

Um telefonema
Uma cobrança?
Um pedido?

Quando vem me ver?

Corre para os braços
Beijos
Afagos
Saudade
Laços

Assim a vida dá sequência na vida!

Como disse um amigo:
É muito importante renovar esse ciclo sempre que (im)possível!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Gratidão

Vivendo numa semana atípica, rodeado pelos pequenos, me reportei ao tempo em que eu era pequeno e me encontrava no superlativo. Era o mais baixo e o mais magro da turma.

Quem parou esse momento no tempo, com seu olhar diferenciado - tio Paulo - pode dizer. Em todas as fotografias desse período, lá estou eu puxando a fila dos meninos. Ao meu lado, oscilavam Natalinha e Adrianinha, mas, na fila dos meninos, não tinha jeito, eu era o primeiro e Renato, o último.

Ter os pequenos por perto é mágico. Muita criatividade; muita energia; muitas perguntas sagazes, das quais não possuo resposta alguma.

Ter os pequenos por perto me fez reafirmar uma vontade guardada no peito: Quero ser professor de Pitoco!

Me fez também chorar as escondidas, afinal de contas, "gente grande não chora, né tio?".

Eles me fizeram passar a semana enxugando as teimosas lágrimas, que de vez em sempre, teimavam em brincar no escorrega da minha face.

Fizeram-me passar a semana com um nó na guarganta e hoje, às oitos horas, dando aula, enfim descobri o motivo: Era gratidão!

Tia Ângela, Tia Solange e Tia Wânia, obrigado!

Curiosamente aqui estou eu, adulto, chamando minhas professoras de tias, fazendo o mesmo que os pequenos vem fazendo comigo há seis anos.

É nesse momento, quando me vejo grande, adulto; enfim me enxergo completo que o nó refaz-se, pois não há como não lembrar de vocês.

Não há como esquecer de Tia Ângela andando furiosa pelo escola segurando minha mão, igual a minha mãe, procurando os alunos mais velhos que estavam praticando comigo piadas racistas.

Não há como esquecer as gostosas risadas de Tia Solange, que ainda hoje as tenho guardada nos ouvido, após Marcelinho e Pedro a enrolarem fazendo massagem nela só para a turma ter mais tempo para fazer a tarefa que valia ponto. Esses dois eram excelentes alunos, mas também dois bagunceiros natos que ajudavam a turma quando o assunto era fugir das punições ou explicar um assunto mal compreendido por algum amiguinho.

Não há como esquecer os largos sorrisos de Tia Wânia após voltar do banheiro. Tia, todos nós sabíamos que você ia lá para não ter as crises dolorosas, causadas pelas pedras nos rins, na nossa frente.

O que meus pais estavam me ensinanando, vocês estavam reforçando todo dia.

Língua portuguesa? Matematica? Estudos Sociais? Ciências?

Não, vocês foram além.

Proteger aqueles que amamos, não propagar injustiças, sorrir sempre, proteger a inocência, seguir em frente.

Espero que um dia, algum aluno lembre de mim do mesmo jeito que eu lembro de vocês, com uma gratidão inadjetivável; com uma saudade imensa, saudade daquela que não quer voltar no tempo, mas sim ter, no presente, aqueles que fizeram diferença no passado!

Espero receber, mais uma vez, aquele abraço e beijo que me faziam acordar às cinco horas da manhã com um sorriso no rosto!

Tias, um enorme abraço de um menino no qual vocês semearam o bem! De um menino que vocês ajudaram a ser ser humano de bem! Que hoje deseja muito ser pai e professor, para passar adiante o que recebeu dos seus pais e que vocês deram sequencia!

De coração, Muito obrigado!