quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Anjo da Guarda!

Mostra, de maneira discreta, os infinitos caminhos que a vida nos oferece a cada instante.

No instante seguinte, traz para perto dos olhos, os afluentes.

Não demora muito para, dentro de uma redoma, nos mostrar as consequências.

Antevê a queda e segura a mão.

Abaixa-se e sopra nos nossos ouvidos: Você consegue!

Tudo para não perdermos a força.

Ao final do dia, ainda nos nina e vela pelos sonhos.

- Mas papai, quem cuida do meu anjo da guarda? Você, né?

domingo, 24 de agosto de 2014



Vida amassada no peito
Percorre vias estreitas
Peito abertado
Cabeça longe
Sentimentos, muitos
Falta boca na boca
Nada que você não cure!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um mais um igual a três!

Partiu do zero e com o tempo aprendeu a ser um.

Por muito tempo, um, ele foi.

Mas, o mesmo tempo o estimulou: Seja dois.

Pertencer a parte par, era um mix de prazer e medo, com leves pitadas de euforia e receio.

De recente, uma um sorriu-lhe e fez o convite: Quer somar comigo para sermos dois?

Ficou gelado! Sem reação! Perdeu a cor e sorriu para disfarçar!

Não queria perder aquela um, mas para isso, teria que (re)aprender a ser, um!

domingo, 22 de junho de 2014

Assim tá bom!

Tem como pensar em família e não pensar em mãe, pai, Chico e Nádia?
Tem como pensar em filhos e não pensar em Pitoco?
Tem como pensar em uma menina e não pensar em Marilia?
Tem como pensar numa segunda família e não pensar nos Serras e nos Andrades?
Tem como pensar em irmãos da vida e não lembrar de Breno, Zaca, Caco e Cheppo?
Tem como quer aquele abraço com as palavras certas e não lembrar de Dayanne?
Tem como pensar em política e não lembrar de Mano?
Tem como não ficar surpreso com a força que Ciço me deu sem eu esperar?
Tem como ouvir nação e não lembrar do Marco Zero?
Tem como escolher outra parceira sem ser você?

Talvez existam outras respostas, mas no momento, as que possuo são suficientes para continuar acordado para viver.

Ao som de Nação Zumbi, "Um sonho".

domingo, 8 de junho de 2014

Na estação!

Ele de pé, mochila nas costas na plataforma.
Ela, sentada, dentro do trém.
Ele olha para dentro do trém procurando-a.
Ela sentada na janela, olha para a plataforma procurando-o.

Poucos minutos de procura mútua enfraquece o corpo e acelera os corações, que não mentem e sussuram: a gente se ama!

Poucos minutos de procura mútua enlouquece as mentes sãs que teimam em contrariar o taquecardear das almas.

Enfim seus olhares se cruzam.

Ela aguarda o sinal dele para sair correndo para seus braços.

Ele aguarda o sinal dela para sair correndo para seus braços.

O medo de se perderem, mais uma vez, é tamanho que ambos estão paralizados.

O maquinista puxa a corda e o trem apita: é hora do trem partir.

Eu só queria saber, quem vai tomar a iniciativa de não destinar esse encontro para a próxima estação, mais uma vez.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Links Alheios!

Depois de um fim de semana com sabor de domingo...

Amanheceu como de costume: o celular gritou que é hora dos compromissos; o corpo clama por cama; a mente ainda confusa não pensa, é insana e o coração, bombeia paz!

Vinte minutos após o grito do aparelho externo a mim resolvo cumprir com o combinado.

Lá vou eu levantar cambaleando, ouvir meu irmão exclamar “ô vidão!”, degustar um breve e saboroso leite com chocolate, banho e rua.  

No caminho, já sem sono e totalmente conectado ao aparelhinho que contém uma parte significativa da minha vida, resolvo escutar a trilha do dia, a trilha sonora do momento: Happy.

Assim como todo o conjunto presente nessa música, lá vou eu simplesmente feliz, assim mesmo, sem explicação. O que me remeteu a algumas prosas:


- Eaí man? Tudo na paz? – perguntaram eles. Eaí menino? Tudo bem? – perguntaram elas.
- Tudo um brisa! – aprendi o amplo significado desta.
- Que bom! Você “tá” bem mesmo né? Dá para perceber. Qual é o motivo!

Respondi com o meu clássico: Rapaaaaaaaz, tem não! Só estou bem leve! Matando no peito os problemas e chutando para longe e deixando no peito os que são bons! Simples assim!

 - Bonito isso! Mas fale a verdade. Qual é o nome dela?
- Dela quem? – questiono.
- Dessa mulher que está te fazendo ficar assim!
- Tem não! Foi só uma mudança na maneira de encarar a vida. Passei a não mais encará-la para leva-la (a vida) comigo!


Uma longa buzina me fez retornar ao lugar onde deveria estar: atrás do volante e não naquelas nuvenzinhas acima da cabeça quando estamos imaginado coisas (elas existem também na vida real, não são exclusivas dos quadrinhos).

Como aprendi em casa e revi com alguns amigos “doideiras” quando estamos bem as pessoas boas se (re)aproximam e as coisas boas também. Foi assim que não cheguei atrasado aos meus compromissos da manhã.

Foi um guarda me deixando passar aqui, um executivo me dando passagem ali, o semáforo abrindo assim que dobrei a esquina e por último àquela vaguinha esperta na frente do trabalho.

- Quero mais o quê? Diz aí porque para mim, está na medida!

Volto para casa e surpreendentemente não há congestionamento na rua! Mais músicas “alegria, alegria!” tocam no walkman até que resolvo olhar para o lado.

Um casal de idosos na Avenida Agamenon Magalhães (que poderiam estar em qualquer grande avenida de 
uma grande cidade) parados pedindo dinheiro. Normal se...

Se a senhora não estivesse cuspindo no chão.

Normal se...

Se ela não segurasse uma caixa de remédio, o provável motivo de estar ali.

Normal se...

O senhor ao lado dela (provável marido) não estivesse com uma sonda.

Normal se...

Ele não segurasse uma vasilha que deveria haver comida e não esmolas.

Normal se...

Ele não estivesse em pé e TODO enfaixado.

Normal se...

Não desse para ver o sangue misturado na urina.

Normal?

A vontade de parar o carro e atravessar as quatro faixas para dar dinheiro era enorme.

A percepção de que meu ato não seria o suficiente era enorme.

O silêncio era enorme.

A vontade de chorar também.

Podia ouvir a vida em alto e bom som me questionar:

- Eaí novinho, vai fazer o quê?

Outra buzina me trouxe a realidade. Ainda olhando para o casal ao lado acelerei. Mais adiante liguei o foda-se. Parei o carro, liguei o alerta e desci. O agente de trânsito me olhava querendo entender.
Abri a carteira e dei tudo o que tinha. Abri o coração e abracei ambos. Abri a consciência e, em lágrimas, perguntei:

- Precisa de mais alguma coisa?

O senhor acariciou-me a face e disse:

- Vá com Deus, meu filho! Sawabona!*¹

- Shikoba!*²


Voltei para o carro com um embrulho na alma e ainda sem conseguir segurar as lágrimas. Lembrei-me dos meus pais. Lembrei-me dos seus ensinamentos de agradecer SEMPRE! Enquanto agradecia escutei alguém batendo no vidro do carro. Era o agente. Quando olhei para o lado, ele chorava mais do que eu.

- Não sei se te agradeço ou reclamo contigo. – disse o homem que faz as vias fluírem.

- Por quê?

- Porque estou aqui desde as seis horas da manhã, vi esse casal chegar por volta das sete, me incomodou, mas não a ponto de ajuda-los e deixei para lá. Vá com Deus rapaz. E fique tranquilo que a multa será rasgada.

- Fico com Deus e com a consciência tranquila, pois cada um faz o que pode, quando pode. Você está fazendo as vias fluírem. Já é alguma coisa, não?

Deixei a partida e parti. Mas não mais ao som de Happy. Era tudo vácuo, era a ausência de algo que nem sabia mais se existia ou não.

De repente eles surgem me fortalecendo mais uma vez, Emicida e Rael.

“... às vezes não tem motivos para seguir
Vai, levanta e anda, vai levanta e anda!“

O literal não podia ser feito, então dobrei a esquina e deparei-me com o congestionamento. Tudo o que não queria estava lá. Quando menos movimento, mais tempo para estar imerso nas nuvenzinhas acima de mim, o que não seria deleitoso.

Tentava fugir das nuvenzinhas que se aproximavam de maneira perigosa eis que O Rappa veio até mim com as suas crianças e, se fosse mais evangélico diria que enxerguei a luz, como não sou apenas olhei para o céu que me apresentava à vida, que me apresentava um pouco dos meus ideais.

A minha frente, no meu caminho, o céu estava azul; a noroeste, o céu era tempestade, no desvio do meu caminho!

Basta escolher: continuar meu caminho (sem desconsiderar o quanto eu já caminhei) ou fugir do meu caminho pegando um desvio.

No Walkman:
Happy, Pharrell Williams
Levanta e anda, Emicida e Rael
Não perca as crianças de vista, O Rappa
A estrada, Cidade Negra.

Faça bom proveito!

*¹ Sawabona – eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante para mim!

*² Shikoba – então, eu existo para você!