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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Felicidade.

"Quantas vezes eu soltei foguete
Imaginando que você já vinha
Ficava cá no meu canto, calado
Ouvindo a barulheira que a saudade tinha!"

Está lá, naquele canto da varanda
Escondido entre a fulô de mãe e os cigarros de pai
O menino sentado, mas não escondido
Tampouco fora repreendido
Estava só apreensivo
A menina de fulô na cabeça, vestido rendado e justo estava prestes a passar
Com a carne enrolada no jornal de ontem
Ele para não bandeira içar
Ficava no canto a espreitar o desfile da moça
Cismático, não mexia-se
Inebriado, não apercebe-se a dormência nas pernas
Excitado, não ouvia a mãe chamar
Concentrado, não sentiu o cheiro de carne
Aflito, vê o tempo avançar
Confuso, enumera os porquês dela hoje não desfilar
Taquecardeado, apodera-se duma sombra calma sobre si
Com medo, vira-se para ver quem é
Movimentando-se, olfateia o cheiro dela mais perto que o normal
Feliz, enxerga-a ali, parada olhando-o dentro da alma
Mudo, sorri
Em reboliço, escuta o convite
Flutuando, vai com ela, o jornal e a carne andar
Em êntase, chega em casa e vai escrever
Com os olhos anundados d'água, canta...

"Você chegou no amiudar do dia
Eu nunca mais senti tanta alegria
Se eu soubesse soltava foguete
Acendia uma fogueira
E enchia o céu de balão!"

domingo, 30 de novembro de 2014

O pronome certo!

Uma, traquecardeou-me

Algumas, retiraram-me as forças

Aquela, foi sem vontade

Nela, não quero mais voltar.


Procuro ELA!!


Onde o beijo apenas será beijo

Onde o beijo apenas dure!


Achei!



(Ao som de "La Edad Del Cielo", Jorge Drexler.)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Ciclo

Demorou
Enfim no meu braço

Medo
Inexperiência
Não saber o que fazer

Do mesmo jeito que chegaste
Ficaste
Sem intenção
Sem invenção
Simplesmente chega e fica.

Um telefonema
Uma cobrança?
Um pedido?

Quando vem me ver?

Corre para os braços
Beijos
Afagos
Saudade
Laços

Assim a vida dá sequência na vida!

Como disse um amigo:
É muito importante renovar esse ciclo sempre que (im)possível!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Gratidão

Vivendo numa semana atípica, rodeado pelos pequenos, me reportei ao tempo em que eu era pequeno e me encontrava no superlativo. Era o mais baixo e o mais magro da turma.

Quem parou esse momento no tempo, com seu olhar diferenciado - tio Paulo - pode dizer. Em todas as fotografias desse período, lá estou eu puxando a fila dos meninos. Ao meu lado, oscilavam Natalinha e Adrianinha, mas, na fila dos meninos, não tinha jeito, eu era o primeiro e Renato, o último.

Ter os pequenos por perto é mágico. Muita criatividade; muita energia; muitas perguntas sagazes, das quais não possuo resposta alguma.

Ter os pequenos por perto me fez reafirmar uma vontade guardada no peito: Quero ser professor de Pitoco!

Me fez também chorar as escondidas, afinal de contas, "gente grande não chora, né tio?".

Eles me fizeram passar a semana enxugando as teimosas lágrimas, que de vez em sempre, teimavam em brincar no escorrega da minha face.

Fizeram-me passar a semana com um nó na garganta e hoje, às oitos horas, dando aula, enfim descobri o motivo: Era gratidão!

Tia Ângela, Tia Solange e Tia Wânia, obrigado!

Curiosamente aqui estou eu, adulto, chamando minhas professoras de tias, fazendo o mesmo que os pequenos vem fazendo comigo há seis anos.

É nesse momento, quando me vejo grande, adulto; enfim me enxergo completo que o nó refaz-se, pois não há como não lembrar de vocês.

Não há como esquecer de Tia Ângela andando furiosa pelo escola segurando minha mão, igual a minha mãe, procurando os alunos mais velhos que estavam praticando comigo piadas racistas.

Não há como esquecer as gostosas risadas de Tia Solange, que ainda hoje as tenho guardada nos ouvido, após Marcelinho e Pedro a enrolarem fazendo massagem nela só para a turma ter mais tempo para fazer a tarefa que valia ponto. Esses dois eram excelentes alunos, mas também dois bagunceiros natos que ajudavam a turma quando o assunto era fugir das punições ou explicar um assunto mal compreendido por algum amiguinho.

Não há como esquecer os largos sorrisos de Tia Wânia após voltar do banheiro. Tia, todos nós sabíamos que você ia lá para não ter as crises dolorosas, causadas pelas pedras nos rins, na nossa frente.

O que meus pais estavam me ensinando, vocês estavam reforçando todo dia.

Língua brasileira? Matemática? Estudos Sociais? Ciências?

Não, vocês foram além.

Proteger aqueles que amamos, não propagar injustiças, sorrir sempre, proteger a inocência, seguir em frente.

Espero que um dia, algum aluno lembre de mim do mesmo jeito que eu lembro de vocês, com uma gratidão inadjetivável; com uma saudade imensa, saudade daquela que não quer voltar no tempo, mas sim ter, no presente, aqueles que fizeram diferença no passado!

Espero receber, mais uma vez, aquele abraço e beijo que me faziam acordar às cinco horas da manhã com um sorriso no rosto!

Tias, um enorme abraço de um menino no qual vocês semearam o bem! De um menino que vocês ajudaram a ser ser humano de bem! Que hoje deseja muito ser pai e professor, para passar adiante o que recebeu dos seus pais e que vocês deram sequencia!

De coração, Muito obrigado!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Links Alheios!

Depois de um fim de semana com sabor de domingo...

Amanheceu como de costume: o celular gritou que é hora dos compromissos; o corpo clama por cama; a mente ainda confusa não pensa, é insana e o coração, bombeia paz!

Vinte minutos após o grito do aparelho externo a mim resolvo cumprir com o combinado.

Lá vou eu levantar cambaleando, ouvir meu irmão exclamar “ô vidão!”, degustar um breve e saboroso leite com chocolate, banho e rua.  

No caminho, já sem sono e totalmente conectado ao aparelhinho que contém uma parte significativa da minha vida, resolvo escutar a trilha do dia, a trilha sonora do momento: Happy.

Assim como todo o conjunto presente nessa música, lá vou eu simplesmente feliz, assim mesmo, sem explicação. O que me remeteu a algumas prosas:


- Eaí man? Tudo na paz? – perguntaram eles. Eaí menino? Tudo bem? – perguntaram elas.
- Tudo um brisa! – aprendi o amplo significado desta.
- Que bom! Você “tá” bem mesmo né? Dá para perceber. Qual é o motivo!

Respondi com o meu clássico: Rapaaaaaaaz, tem não! Só estou bem leve! Matando no peito os problemas e chutando para longe e deixando no peito os que são bons! Simples assim!

 - Bonito isso! Mas fale a verdade. Qual é o nome dela?
- Dela quem? – questiono.
- Dessa mulher que está te fazendo ficar assim!
- Tem não! Foi só uma mudança na maneira de encarar a vida. Passei a não mais encará-la para leva-la (a vida) comigo!


Uma longa buzina me fez retornar ao lugar onde deveria estar: atrás do volante e não naquelas nuvenzinhas acima da cabeça quando estamos imaginado coisas (elas existem também na vida real, não são exclusivas dos quadrinhos).

Como aprendi em casa e revi com alguns amigos “doideiras” quando estamos bem as pessoas boas se (re)aproximam e as coisas boas também. Foi assim que não cheguei atrasado aos meus compromissos da manhã.

Foi um guarda me deixando passar aqui, um executivo me dando passagem ali, o semáforo abrindo assim que dobrei a esquina e por último àquela vaguinha esperta na frente do trabalho.

- Quero mais o quê? Diz aí porque para mim, está na medida!

Volto para casa e surpreendentemente não há congestionamento na rua! Mais músicas “alegria, alegria!” tocam no walkman até que resolvo olhar para o lado.

Um casal de idosos na Avenida Agamenon Magalhães (que poderiam estar em qualquer grande avenida de 
uma grande cidade) parados pedindo dinheiro. Normal se...

Se a senhora não estivesse cuspindo no chão.

Normal se...

Se ela não segurasse uma caixa de remédio, o provável motivo de estar ali.

Normal se...

O senhor ao lado dela (provável marido) não estivesse com uma sonda.

Normal se...

Ele não segurasse uma vasilha que deveria haver comida e não esmolas.

Normal se...

Ele não estivesse em pé e TODO enfaixado.

Normal se...

Não desse para ver o sangue misturado na urina.

Normal?

A vontade de parar o carro e atravessar as quatro faixas para dar dinheiro era enorme.

A percepção de que meu ato não seria o suficiente era enorme.

O silêncio era enorme.

A vontade de chorar também.

Podia ouvir a vida em alto e bom som me questionar:

- Eaí novinho, vai fazer o quê?

Outra buzina me trouxe a realidade. Ainda olhando para o casal ao lado acelerei. Mais adiante liguei o foda-se. Parei o carro, liguei o alerta e desci. O agente de trânsito me olhava querendo entender.
Abri a carteira e dei tudo o que tinha. Abri o coração e abracei ambos. Abri a consciência e, em lágrimas, perguntei:

- Precisa de mais alguma coisa?

O senhor acariciou-me a face e disse:

- Vá com Deus, meu filho! Sawabona!*¹

- Shikoba!*²


Voltei para o carro com um embrulho na alma e ainda sem conseguir segurar as lágrimas. Lembrei-me dos meus pais. Lembrei-me dos seus ensinamentos de agradecer SEMPRE! Enquanto agradecia escutei alguém batendo no vidro do carro. Era o agente. Quando olhei para o lado, ele chorava mais do que eu.

- Não sei se te agradeço ou reclamo contigo. – disse o homem que faz as vias fluírem.

- Por quê?

- Porque estou aqui desde as seis horas da manhã, vi esse casal chegar por volta das sete, me incomodou, mas não a ponto de ajuda-los e deixei para lá. Vá com Deus rapaz. E fique tranquilo que a multa será rasgada.

- Fico com Deus e com a consciência tranquila, pois cada um faz o que pode, quando pode. Você está fazendo as vias fluírem. Já é alguma coisa, não?

Deixei a partida e parti. Mas não mais ao som de Happy. Era tudo vácuo, era a ausência de algo que nem sabia mais se existia ou não.

De repente eles surgem me fortalecendo mais uma vez, Emicida e Rael.

“... às vezes não tem motivos para seguir
Vai, levanta e anda, vai levanta e anda!“

O literal não podia ser feito, então dobrei a esquina e deparei-me com o congestionamento. Tudo o que não queria estava lá. Quando menos movimento, mais tempo para estar imerso nas nuvenzinhas acima de mim, o que não seria deleitoso.

Tentava fugir das nuvenzinhas que se aproximavam de maneira perigosa eis que O Rappa veio até mim com as suas crianças e, se fosse mais evangélico diria que enxerguei a luz, como não sou apenas olhei para o céu que me apresentava à vida, que me apresentava um pouco dos meus ideais.

A minha frente, no meu caminho, o céu estava azul; a noroeste, o céu era tempestade, no desvio do meu caminho!

Basta escolher: continuar meu caminho (sem desconsiderar o quanto eu já caminhei) ou fugir do meu caminho pegando um desvio.

No Walkman:
Happy, Pharrell Williams
Levanta e anda, Emicida e Rael
Não perca as crianças de vista, O Rappa
A estrada, Cidade Negra.

Faça bom proveito!

*¹ Sawabona – eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante para mim!

*² Shikoba – então, eu existo para você!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lembrei de ti!

Na minha nova e louca rotina, acordei as 16 horas para ir trabalhar. Como de costume fui pegar um copo com água e bebe-lo em frente a janela. Chegando lá deparei-me com a seguinte imagem: um senhor sentado numa cadeira de plástico olhando a vida passar.
Água e ver a vida passar, isso me lembrou o momento que adquiri o costume de beber água ao acordar. Isso foi durante uma longa caminhada pelos Andinos.

Já estava há horas caminhando, logo ia escurecer e eu não via nenhuma vida ao redor, excluindo as plantas. Eis que de repente sai por detrás dos arbustos um senhor miúdo falando tão rápido que só consegui entender o final: Vem comigo!

A mata era fechada. Ele abriu caminho com as mãos e sumiu. Entrar na mata me parecia a melhor opção e foi isso que eu fiz.
Depois de alguns arranhões e tropeços na mata fechada, um clarão surgiu. Era um imenso vale.

A minha esquerda havia um desfiladeiro, a direita a casa do velhinho e mais a frente um enorme lago - que mais tarde descobriria que a água não era tão quente quanto imaginei - onde brincavam uma mulher e algumas crianças.

Quando voltei meu olhar para a casa, o velhinho já estava entrando e fazia sinal para que eu fizesse o mesmo. O cansaço falou mais alto do que a beleza do lago, que a vontade de ver o desfiladeiro mais de perto, do que a vontade de mergulhar e principalmente falou mais alto do que a voz de meu pai ecoando em meus ouvidos quando criança a dizer: Moleque não dá mole, não entra aí!

Uma casa muito diferente foi o que encontrei. Peles de animais e muita madeira foi o que vi. Poucos segundos depois uma menina me segurou forte pela mão e me guiou até o quarto. Chegando lá apontou para a cama. Ela não pronunciou uma palavra sequer, mas entendi tudo. Antes dela sair, fui presenteado com um longo sorriso, um abraço e um "adiós".
Tirei a pesada mochila das costas e deitei. Em poucos segundos estava dormindo de maneira plena, como a muito tempo não dormia.

Meia noite em ponto eu despertei. Sentia como se alguém me chamasse. Pé ante pé fui caminhando pela casa, primeiro as escadas, depois pela sala. Tentava não fazer barulho, mas o ranger da madeira me impossibilitava. Não precisei acender as lamparinas, era noite de lua cheia e a casa não possuía cortinas. Quanto mais eu caminhava pela casa, menos vida encontrava. De repente a pequenina entra pela porta da sala com o corpo pintado e um cocar na cabeça; pega um pequeno instrumento com cordas, segura na minha mão e me leva para fora. Chegando lá parecia que uma enorme lâmpada estava acessa no céu. Perto do lago estava a família dela dançando entorno da uma fogueira. Ainda tenho essa imagem gravada em mim. Assim como as que ocorreram durante a noite.

Timidamente me aproximei. Quanto mais lento caminhava, mais fortes eram os puxões da pequena. Quando chegamos na fogueira ela correu para pegar tintas, enquanto isso seu avô, o velhinho que me buscou na estrada, me enfiou uma folha na boca e mandou que eu a mastigasse. Um gosto amargo foi o que tocou minha papilas gustativas. Pouco tempo depois, a mãe da pequena me deu um copo para beber um líquido. Era um gostoso chá. Foi quando o velhinho pronunciou as suas primeiras palavras: Primeiro o remédio amargo para limpar e purificar, depois a doçura da vida.

Foi ele terminando de falar e a pequena chegando com as tintas para me pintar. Quando ela acabou, apontou para o lago.
- É para eu entrar? - perguntei.
Com a cabeça ela respondeu que sim. Foi nesse momento que descobri o quanto aquelas águas eram frias. Descobri também o que o velhinho quis dizer.

Com a água no pescoço sentia todo meu cansaço físico e espiritual indo embora. Como me diria a pequena mais tarde: aquele lago era mágico.

Quando sai dele uma grande surpresa: o desenho que a menina havia feito tinha se transformado em outro. Não era mais um desenho infantil, ele parecia com os daquela gente da qual eu agora fazia parte. E foi assim que eu me senti a noite toda, parte daquela gente.

Mais folhas para purificar, mais chás gelados, mais bebidas quentes, boa carne e muita dança. A pequenina parecia um anjo dançando.

Pouco antes do amanhecer o velhinho me chamou até o desfiladeiro. Por lá ficamos até o sol chegar. Ele me disse duas coisas que jamais esquecerei: Sempre tome um copo com água antes de dormir e assim que acordar, faça uma prece para limpar os pensamentos e sentimentos ruins que possam ter aflorados enquanto dormia; e sempre escute seu coração, ele fala alto, se comunica bem, foi através dele que minha neta te encontrou, ela ouviu você pedindo ajuda. Está te ouvindo há dias. Do mesmo jeito você a ouviu chamar para a nossa celebração.

O que vocês celebravam?, perguntei curioso.

A sua chegada, pois você vai deixar um pouco de você nessas montanhas e vai levar muito de nós. Será um novo homem, você fez a escolha certa, procurou a purificação para poder voltar a vida na cidade com pouco verde.

Quando ele terminou de falar um vento forte soprou. Ele disse: Toda vez que o vento soprar, peça para ele levar tudo de ruim e trazer o bom e o bem. Nesse momento o pequena chegou e disse: Sua hora chegou, eu te mostro o caminho.

Me levou até o quarto, onde minha mochila estava carregada com comida, água, folhas e chá e me levou até a estrada. Durante todo o tempo ela segurou a minha mão. Na estrada me deu outro beijo, um sorriso, um abraço e disse: você já sabe o que fazer. Quando precisar volte-se para o coração, ele sempre te ajudou. Eu estarei sempre contigo! Só volte quando quiser nos ver, quando a saudade apertar; você já sabe como se purificar, não precisa mais de nós.
Ao pronunciar a última palavra, soltou a minha mão e voltou para a mata.

Olhando esse senhor na cidade com pouco verde me lembrei daquela noite, daqueles dias caminhando.

Meu coração não é mais um ser estranho a mim, é parte de mim. Não sou mais corpo, coração, mente e espírito; sou uma coisa só, sou completo!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"Histórias Cruzadas".

Um filme, um recorte, uma visão foi o que me restou.

Foi tudo isso que vi nesta tarde; numa tarde que estava perdida, numa tarde de compromissos desmarcados ainda no primeiro tempo.

Eis aqui um preconceito que não feriu minha pele. Eis um preconceito que vejo minha mãe e irmão lutarem contra, que vejo minha irmã “deixar para lá” quando dá. Que muito ouvi papai comentar a respeito. Que sei que vó Paulo e vô Madá passaram na pele, porém, nunca os ouvi prosear a respeito.

Abaixar a cabeça, mudar de lugar, atravessar a rua, ser culpado graças ao tom da pele eram as notas que estavam na partitura da vida. Era? Vai saber. O que sei é que esse tom me fez quebrar as regras. Aqui está mais de um texto no mesmo dia. Um pequeno texto. Um texto que versa sobre algo que deveria estar preso no tempo. Deveria, pois se estivesse não estaria aqui, escrevendo e enxugando lágrimas.

Não passei por isso, não sou ativista, não quero mudar o mudo... então, o que quero com esse texto?


Continuar a minha caminhada, assim como Aibi, com lágrimas na cara, esperança no peito, lápis e papel; só isso. Continuar a caminhar e escrever acerca o que me faz ter esperança, o que me faz focar na parte bela da vida, assim como fez o criativo Guido em “A vida é Bela”. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Enquanto esperava uma amiga...

Quando esperamos alguém, fazemos de tudo para matar o tempo antes que ele nos mate, sendo assim, fui para o local onde o tempo não existe: shopping.
Olhar vitrines não é a minha praia, logo, fui para a praça de alimentação observar pessoas. Enxerguei algumas, vi outras, desconsiderei muitas mais até ela passar.
Não sei por qual motivo, mas ela me chamou atenção desde a sua chegada. Sentou alguns metros a minha frente. Sentou, me olhou e desde então não parou mais. Normalmente o encabulamento é inevitável, desta vez, isso não ocorreu. Fiquei a observa-lá e ela fazia o mesmo comigo. Ninguém escondia nada.
Depois de alguns minutos, ela, me olhando dentro dos olhos, se levanta e vem em minha direção. Senta-se na minha frente, na mesma mesa e diz:
- Oi!
Eu sorri e fiz o mesmo. Passamos a conversar e foi nesse momento que as cartas começaram a embaralhar.
De início era apenas uma mulher conversando com um homem, ambos estranhos, por isso era muito mais fácil ser transparente, afinal de contas, ninguém se conhece e tão pouco sabe se há algo de verdadeiro na prosa.
A cada assunto novo, ela mudava de personalidade: criança, adulto, pessoa idosa, medrosa, a frente de seu tempo, retrógrada, má, boa. Uma infinidade de pessoas vi dentro daquela mulher.
Eis que ela resolveu beber, queria uma cerveja para continuar a conversa. O que estava embaralhado começou a ser colocado em ordem.
Todas as suas personalidades começaram a convergir para uma. Esta uma era na verdade um mix de todas as outras e somente quando ela surgiu que toda conversa anterior passou a fazer sentido. Nesse momento de franqueza ela admitiu para si que, só está a vontade, só se assume, quando bebe ou quando está com ele, pena que ela o mandou embora; agora o que resta a ela é beber.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

In: http://escolaauroramellolubnon.blogspot.com.br/2010/08/coisa-de-crianca-entendendo-melhor-o.html
Mas pra onde mesmo? Mas por que mesmo? Sei lá, só sei que estou aqui. Sei lá, só sei que foi assim.

Sentimento de impotência – toma Viagra pai, dirá o gaiato.

Sentimento de vazio – vai comer boy.

Revolta? Raiva? Talvez dor? – não, acho que não.

Talvez o algo estranho do “perna cansada”? – estanho sim, mas cansado não, gosto de andar.

Talvez a “adrenalina” do pedalante? – meu coração já nem sabe mais o que é pulsar forte.

Já sei, aquele sentimento gigante de pequenez do “gigante na parada” – também não brother, sempre fui pequeno.

Agora botei pra fuder, é o anacronismo sentido por ter “acordado em 69”? – eu nem dormi, então não foi isso.

Como eu não pensei nisso antes, “uma saída”! – porra, é claro que não; não busco sair.

Sabe o que é? É exatamente o que não se percebe. É o mínimo. Não o salário, afinal de contas, no capitalismo tudo é dinheiro né? E muito clichê também. É o mínimo de noção, talvez de gratidão, de empolgação e mais alguma merda que termine com ão pra ficar bonito e poder dizer que tem rima na minha poesia. Poesia? Eu não escrevo isso. Eu escrevo texto. Poesia pra mim é como se vive. E se vivêssemos assim, não estaríamos assim. É assim mesmo, E-S-T-A-R-Í-A-M-O-S; você e eu.

Pra viver surfando em poesia – você já surfou? Já se sentiu parte de algo da natureza? – é necessário parar de olhar com os olhos e passar a enxergar com o coração. Talvez o que fizeram aqueles me (ins)piraram, os das aspas.

Você enxerga o seu entorno e fica se perguntando: aonde isso vai parar? Essa galera quer o que? Olha-se no espelho e diz: eai? Qual é neguinho? Você está andando esse tempo todo pra quê? Pelo bem comum porra?, esqueceu foi? Ah é! O bem comum.

Mas se é comum, por que está tão vazio? Você está andando muito com Pitoco, está regredindo, está perguntando o óbvio. Ahhhh, é o óbvio né? É tão óbvio que eu não to vendo. Ta fumando maconha é?

Brother...

Senta aí!

Sabe qual é a parada? A parada é o seguinte...

(cri, cri, cri, cri)...

Não entendi. Não? É que você continua a olhar com os olhos e não a enxergar com o coração. Quando você chegar lá vai perceber que tudo isso aí que está fora é exatamente a ausência do que deveria haver dentro. Estamos olhando o outro como se ele fosse igual a nós.

Mas ele não é não é? Se você conversasse mais com Pitoco, saberia que não. Saberia também que todos nós temos bons motivos NOSSOS que nos fazem andar e que raramente no NOSSO há espaço para o outro.

Para ouvir, ver e sentir o outro. Está faltando poesia na vida, mas não a escrita e sim a que é vivida!

E como faz isso? Como vive assim?

Tenta - é uma possibilidade, é um norte e não o norte - colocar um pouco mais do outro dentro de você e parar, pelo menos tenta, de colocar você o tempo todo dentro do outro!
Aprende a parar de ter a NECESSIDADE de ensinar. Aprendendo a observar o outro, vamos entender que ele não somos nós, no entanto, temos conquistas comuns, sonhos comuns e dores comuns e JUNTOS podemos chegar lá.
Mas lá onde?
Se eu soubesse também não estaria vazio igual a você, estaria juntos com os monges do Tibet. O que eu sei é que enquanto houver esse vazio comum, isso será tudo o que vamos compartilhar. Fora as fotos e leseiras das redes sociais que escondem o vazio debaixo do tapete.
A merda é que eu sou muito alérgico a poeira e não compreendo muito bem os livros de poesia!

*Também em http://var.al/nelson-pires/mais/


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sí!

Acabo de descubrir que no puedo hacer que el cuerpo sea más
nada tatuaje
¿y qué hacer con su boca roja marcada en el pecho
este protector de pecho sigue siendo la marca que muerden
que perdió nada
nhac
fue exactamente lo que hizo que su mordida voraz
no quería empezar sólo de puntuación
por rencoroso pura malicia
maldad cada vez que veo su retiro blusa
mal que me siento cada vez que veo la luna
como en la actualidad...
In: http://var.al/nelson-pires/si/

terça-feira, 4 de junho de 2013

Um pedido.

Graças a Deus está chegando a hora do São João, pois vai ser o momento que ele vai encontrar novamente a fagulha propulsora de sua poesia.
O triste vai voltar a ser alegre.
O feio, belo!
Vai novamente valsar por aí tendo ela como companheira em todas as noites!

sábado, 2 de junho de 2012

3 anos e 1/2!

Não foi uma escolha.
Foi Deus que te colocou em meu caminho.
De início, um estranhamento de um, e um "tô nem aí" da outra.
Um ano se passou e a gente se beijou pela primeira vez.
Foi sem pressa.
Ainda não tenho palavras para descrever.
Bom, gostoso, perfeito, inesperado, apressado, vergonha,
embriagante,
hipnotizante;
uma dádiva.
Muitas histórias. Muitos planos. Muitas brigas, mas quantos sorrisos!
Quantas lembranças gostosas das tardes de verão!
Tudo presente. Muita paixão! Muito amor!
Somos tudo: amigos, amantes, errantes, namorados, professores, companheiros, dançarinos, escritores, comediantes, espíritos... personagens ativos de uma   linda história de amor.
Ao fechar os olhos um filme aparece.
Lágrimas e sorrisos.
Loucamente mergulhamos de coração.
Desvendamos algumas camadas do outro e as nossas, graças ao nosso companheirismo.
Ainda não percorremos todas as camadas.
Ainda bem!
Pois, o nosso diferencial é não conseguir colocar um ponto final.
Somos reticências...
O espaço para respirar e dar continuidade ao nosso amor.
Àquele grudinho tão nosso que para os outros, não há individualidade. Mas, você sabe tanto quanto eu que há.
Que a gente se entende com o nosso grudinho gostoso e recorrente e com o nosso espaço, quando preciso.
"Ainda bem que você vive comigo!"

Ao som de "Tão bem", Lulu Santos e "Sinceramente", Cachorro Grande.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A dança!

É nessa dança que eu vou.
Na contra-dança da dança.
No sentir e não agir!
No sentir e se deixar fluir!
Uma música com metais, sopros, uma batera pra marcar.
O baixo para pulsar junto com o coração.
Bum-bum-bum-bum..
A guitarra para arrupiar os pêlos da alma e dar a cadência.
Clé-clé-clé-clé...
A teclado para acompanhar.
As backs para preencher e fazer perceber que com música
se sente, flui e dança.
Se fecha os olhos e vai...


Pronto, flui!


Encontrei a flor na pista e fluímos!
E para quase terminar,
o cantor nos passa o reflexo do que é tudo isso junto!


Parado fico enquanto penso!
Com a flor estou enquanto sinto!
E em poucos minutos
aqueles que também olhavam se deixam fluir.
Pois Pitoco comanda a dança
com seu livre dançar.
Só sente a energia!

E faz todos sentirem quanto é bom dançar se deixando guiar pelo som.


Ao som de Kultiration - banda sueca.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A gata!

Não importa o dia.
Não importa o lugar.
Tão pouco o meu humor.
Ela está sempre ali, melhor aqui!
Se enrolando em minhas pernas
pedindo atenção, clamando por carinho!
Se arrepia toda quando a toco!
Um toque delicado carregado de sentimentos!
Inúmeros sentimentos.
A afinidade é tamanha que ela se arrepia toda por senti-los.
Tudo aquilo que Rapunzel espera!
O beijo que acordará Branca de Neve!

Todas as belas dos contos estão a esperar aquilo que ela já tem.
Ela sabe, pois ela sente.
E por sentir que se enrola em mim
de tal maneira que o plural se torna singular!
E assim como a bailarina
seguimos dançando de forma una.
Tudo aquilo que um dia buscou, tem!
Assim como nos contos das fadas;
um final feliz enrolada naquele que a ama!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ritmado.

Um dia como outro qualquer
eu pego a colher
e vou até o tupperware
para comer.

E ao ver você 
penso na douçura do seu doce!
E não quero mais saber de colher!
Perdi a fome! 
Preciso me alimentar da visão doce da sua presença!
Que é a minha crença!

Está não sai na imprensa
e por isso não ficas tensa!
Posso te devorar sem pressa!


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cheguei aqui!

Eu tento, mas não consigo.
Busco maneiras, possibilidades
e por um breve instante acredito estar conseguindo.
A maldita gramática surge: Porém, não consigo!
Há muito tempo tento e obtenho o mesmo resultado.
O Fracasso!
Apesar de não gostar estou me acostumando a ele.
Cheguei na encruzilhada com meu nome.
Vou convicto para as profundezas.
Espero encontrar no segundo final de minha vida
não o desespero
mas sim a força e a que me farão voltar a querer viver.
Senão, me deixo ir.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

7 palmos!

Mergulhado em meus escritos.
Tento me aproximar de ti.
Nem sempre o melhor antídoto.

Chego tão perto!
Te tenho.
Onde você está?

São só letras.
Desejos.
Nada de carne e osso.
Foi apenas um sonho.
Por alguns instantes te tive
juntinho a mim!

Agora a triste realidade.
Você está longe e não vem me ver!
Fato consumado.

Se eu gritar, chorar, suplicar.
A resposta é a mesma:
- NÃO!

É a morte de um apaixonado.
É apenas mais um para ela.
Mais uma vez que ele diz que morreu!
Só que desta vez ele está indo
mas ela ainda não percebeu.

Ao som de "Preciso" e "Me ensina" - Mamelungos do Recife.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um convite.

Com a cabeça no mundo da lua
estou sentado na lua.
Vejo tudo tão pequeno.
O mundo construído pelo homem
não é tão grande e cinza como pensei.

É tudo uma questão de ponto de vista.

Balanço as pernas para ganhar força
e começo a balançar a lua.
Ventinho gostoso.
Frio na barriga.
Sensação gostosa!

Ela é grande, tem muito espaço.
Quer experimentar?