quarta-feira, 2 de julho de 2014

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domingo, 22 de junho de 2014

Assim tá bom!

Tem como pensar em família e não pensar em mãe, pai, Chico e Nádia?
Tem como pensar em filhos e não pensar em Pitoco?
Tem como pensar em uma menina e não pensar em Marilia?
Tem como pensar numa segunda família e não pensar nos Serras e nos Andrades?
Tem como pensar em irmãos da vida e não lembrar de Breno, Zaca, Caco e Cheppo?
Tem como quer aquele abraço com as palavras certas e não lembrar de Dayanne?
Tem como pensar em política e não lembrar de Mano?
Tem como não ficar surpreso com a força que Ciço me deu sem eu esperar?
Tem como ouvir nação e não lembrar do Marco Zero?
Tem como escolher outra parceira sem ser você?

Talvez existam outras respostas, mas no momento, as que possuo são suficientes para continuar acordado para viver.

Ao som de Nação Zumbi, "Um sonho".

domingo, 8 de junho de 2014

Na estação!

Ele de pé, mochila nas costas na plataforma.
Ela, sentada, dentro do trém.
Ele olha para dentro do trém procurando-a.
Ela sentada na janela, olha para a plataforma procurando-o.

Poucos minutos de procura mútua enfraquece o corpo e acelera os corações, que não mentem e sussuram: a gente se ama!

Poucos minutos de procura mútua enlouquece as mentes sãs que teimam em contrariar o taquecardear das almas.

Enfim seus olhares se cruzam.

Ela aguarda o sinal dele para sair correndo para seus braços.

Ele aguarda o sinal dela para sair correndo para seus braços.

O medo de se perderem, mais uma vez, é tamanho que ambos estão paralizados.

O maquinista puxa a corda e o trem apita: é hora do trem partir.

Eu só queria saber, quem vai tomar a iniciativa de não destinar esse encontro para a próxima estação, mais uma vez.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Links Alheios!

Depois de um fim de semana com sabor de domingo...

Amanheceu como de costume: o celular gritou que é hora dos compromissos; o corpo clama por cama; a mente ainda confusa não pensa, é insana e o coração, bombeia paz!

Vinte minutos após o grito do aparelho externo a mim resolvo cumprir com o combinado.

Lá vou eu levantar cambaleando, ouvir meu irmão exclamar “ô vidão!”, degustar um breve e saboroso leite com chocolate, banho e rua.  

No caminho, já sem sono e totalmente conectado ao aparelhinho que contém uma parte significativa da minha vida, resolvo escutar a trilha do dia, a trilha sonora do momento: Happy.

Assim como todo o conjunto presente nessa música, lá vou eu simplesmente feliz, assim mesmo, sem explicação. O que me remeteu a algumas prosas:


- Eaí man? Tudo na paz? – perguntaram eles. Eaí menino? Tudo bem? – perguntaram elas.
- Tudo um brisa! – aprendi o amplo significado desta.
- Que bom! Você “tá” bem mesmo né? Dá para perceber. Qual é o motivo!

Respondi com o meu clássico: Rapaaaaaaaz, tem não! Só estou bem leve! Matando no peito os problemas e chutando para longe e deixando no peito os que são bons! Simples assim!

 - Bonito isso! Mas fale a verdade. Qual é o nome dela?
- Dela quem? – questiono.
- Dessa mulher que está te fazendo ficar assim!
- Tem não! Foi só uma mudança na maneira de encarar a vida. Passei a não mais encará-la para leva-la (a vida) comigo!


Uma longa buzina me fez retornar ao lugar onde deveria estar: atrás do volante e não naquelas nuvenzinhas acima da cabeça quando estamos imaginado coisas (elas existem também na vida real, não são exclusivas dos quadrinhos).

Como aprendi em casa e revi com alguns amigos “doideiras” quando estamos bem as pessoas boas se (re)aproximam e as coisas boas também. Foi assim que não cheguei atrasado aos meus compromissos da manhã.

Foi um guarda me deixando passar aqui, um executivo me dando passagem ali, o semáforo abrindo assim que dobrei a esquina e por último àquela vaguinha esperta na frente do trabalho.

- Quero mais o quê? Diz aí porque para mim, está na medida!

Volto para casa e surpreendentemente não há congestionamento na rua! Mais músicas “alegria, alegria!” tocam no walkman até que resolvo olhar para o lado.

Um casal de idosos na Avenida Agamenon Magalhães (que poderiam estar em qualquer grande avenida de 
uma grande cidade) parados pedindo dinheiro. Normal se...

Se a senhora não estivesse cuspindo no chão.

Normal se...

Se ela não segurasse uma caixa de remédio, o provável motivo de estar ali.

Normal se...

O senhor ao lado dela (provável marido) não estivesse com uma sonda.

Normal se...

Ele não segurasse uma vasilha que deveria haver comida e não esmolas.

Normal se...

Ele não estivesse em pé e TODO enfaixado.

Normal se...

Não desse para ver o sangue misturado na urina.

Normal?

A vontade de parar o carro e atravessar as quatro faixas para dar dinheiro era enorme.

A percepção de que meu ato não seria o suficiente era enorme.

O silêncio era enorme.

A vontade de chorar também.

Podia ouvir a vida em alto e bom som me questionar:

- Eaí novinho, vai fazer o quê?

Outra buzina me trouxe a realidade. Ainda olhando para o casal ao lado acelerei. Mais adiante liguei o foda-se. Parei o carro, liguei o alerta e desci. O agente de trânsito me olhava querendo entender.
Abri a carteira e dei tudo o que tinha. Abri o coração e abracei ambos. Abri a consciência e, em lágrimas, perguntei:

- Precisa de mais alguma coisa?

O senhor acariciou-me a face e disse:

- Vá com Deus, meu filho! Sawabona!*¹

- Shikoba!*²


Voltei para o carro com um embrulho na alma e ainda sem conseguir segurar as lágrimas. Lembrei-me dos meus pais. Lembrei-me dos seus ensinamentos de agradecer SEMPRE! Enquanto agradecia escutei alguém batendo no vidro do carro. Era o agente. Quando olhei para o lado, ele chorava mais do que eu.

- Não sei se te agradeço ou reclamo contigo. – disse o homem que faz as vias fluírem.

- Por quê?

- Porque estou aqui desde as seis horas da manhã, vi esse casal chegar por volta das sete, me incomodou, mas não a ponto de ajuda-los e deixei para lá. Vá com Deus rapaz. E fique tranquilo que a multa será rasgada.

- Fico com Deus e com a consciência tranquila, pois cada um faz o que pode, quando pode. Você está fazendo as vias fluírem. Já é alguma coisa, não?

Deixei a partida e parti. Mas não mais ao som de Happy. Era tudo vácuo, era a ausência de algo que nem sabia mais se existia ou não.

De repente eles surgem me fortalecendo mais uma vez, Emicida e Rael.

“... às vezes não tem motivos para seguir
Vai, levanta e anda, vai levanta e anda!“

O literal não podia ser feito, então dobrei a esquina e deparei-me com o congestionamento. Tudo o que não queria estava lá. Quando menos movimento, mais tempo para estar imerso nas nuvenzinhas acima de mim, o que não seria deleitoso.

Tentava fugir das nuvenzinhas que se aproximavam de maneira perigosa eis que O Rappa veio até mim com as suas crianças e, se fosse mais evangélico diria que enxerguei a luz, como não sou apenas olhei para o céu que me apresentava à vida, que me apresentava um pouco dos meus ideais.

A minha frente, no meu caminho, o céu estava azul; a noroeste, o céu era tempestade, no desvio do meu caminho!

Basta escolher: continuar meu caminho (sem desconsiderar o quanto eu já caminhei) ou fugir do meu caminho pegando um desvio.

No Walkman:
Happy, Pharrell Williams
Levanta e anda, Emicida e Rael
Não perca as crianças de vista, O Rappa
A estrada, Cidade Negra.

Faça bom proveito!

*¹ Sawabona – eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante para mim!

*² Shikoba – então, eu existo para você!

domingo, 20 de abril de 2014

E

E quando o pesadelo do passado está no presente? - De maneira passageira, breve e pesada.

E quando o salvador se torna carrasco?
E quando a criança cresce sem esperança?
E quando a criança cresce sem nunca ter sido criança?
E quando se cresce rangendo os dentes?
E quando se cresce caindo e levantando sem poder gritar, chorar e lagrimejar?
E quando se cresce sem a mão estendida?
E quando se cresce sem poder dormir o sono dos justos - mesmo sendo justo?
E quando, anos depois, um bolo ainda está preso na garganta?

E quando o "poeta" não consegue esquecer o passado triste para poder ser sublime aos olhos de seus leitores?

E quando o pesadelo do passado é o presente, o que fazer?

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Isso aqui também é viver!

A menina Naya segurando o trabalho-arte de Débora Assunção.
Acordar ou pelo menos tentar. Terceiro dia seguido que o ritual é o mesmo: O celular na hora combinada me avisa, aos berros, que está na hora de levantar. O corpo entende e cumpre com o combinado, mas os olhos não, se recusam e não abrem.
Desde adquiri o filtro de sonhos que a vida na madrugada é a mesma, dormir, somente isso. Não há idas ao banheiro, ataques à geladeira nem pausas para sonhar ou acordar assustado após pesadelos. Conversas noturnas com amigos nas redes sociais faz parte do passado. Coincidentemente à aquisição do filtro, o ato de dormir se tornou apenas dormir.
As crianças dirão que é por causa do filtro; os adultos, que me livrei de algum problema. Mas e eu, o que acho? (Estou com os pequenos!).
Quando enfim os olhos resolveram coloborar, parti para minhas obrigações.
No momento em que percebi meus olhos abertos, fui em direção da janela, como de costume, para ver a vida enquanto tomava meu café da manhã.
De um lado carros, do outro uma bolha de calor, à frente pessoas caminhando para seus compromissos e atrás de mim, minha cama. Resisti e fui, como todo "ser normal", conquistar o pão nosso de cada dia. No entanto, diante do que vi pelo janelão da Demócrito, ir de carro seria inviável. Bicicleta? Ainda não quero virar pasta no asfalto. Transporte coletivo era a solução. Fone no ouvido e lá vou eu para meu dia atipico.
O ônibus não demorou, como de costume. Nada nesse dia foi "como de costume".
O coletivo veio cheio, mas não lotado e em poucos minutos estava vazio. Eu fui sentar-me no banco alto, como faz todo bom moleque. De lá podia ver o longo congestionamento a frente. Via também que o motorista do ônibus no qual eu estava, era um mescla de kamikaze com Ayrton Senna. Surpreendentemente ele não matou ninguém e só andou pelo lado da sombra.
Foi desse lado que senti aquela gostosa brisa matinal e natural que pensei ter sido extinta; que pude perceber um senhor sentado numa cadeira de rodas na frente do hospital pegando sol, enxerguei esse mesmo senhor tirando a camisa branca de doente após passar por ele um jovem marrombado, o senhor bateu no peito e exclamou: Aqui sim há saúde! O marrombado olhou e sorriu, assim como fizeram os enfermeiros que o acompanhavam. Ainda nesse longo parágrafo, pude ver uma família que quero para mim: marido e mulher sentados tendo em seus colos o casal de gêmeos. O menino logo me "deu legal", fazendo com que eu sorisse e respondesse da mesma maneira. Para a menina, que me olhava escondida, eu "dei tchau", a sua reação foi esconder-se de baixo das assas do pai impedindo que seu sorriso timido fosse visto por todos.
Mais adiante vi uma jovem deficiente visual parada esperando alguém vir ajuda-lá a atravessar a movimentada avenida. Eis que a ajuda veio. Um jovem que dirigia um carro, ligou o alerta, parou o carro e foi prestar-lhe-a ajuda. Ela abriu um enorme sorriso, enquanto isso, Ayrton Senna kamikaze, jogou o ônibus para a outra faixa para não colidir com o carro do jovem. Ambos ficaram por alguns segundos se encarando, enquanto isso, a jovem esperava ser conduzida até o outro lado. Naqueles longos segundos de duelo de faroeste, o motorista kamikaze respirou fundo, enxugou o suor do rosto e, para minha surpresa, ficou de pé para aplaudir o gesto do rapaz. Ao sentar-se, atravessou o ônibus na pista de maneira que a jovem pudesse ser conduzida até o outro lado tranquilamente.
Desta mesma maneira o jovem voltou para o carro e se foi. Desta mesma maneira o motorista passou a conduzir o transporte coletivo. Desta mesma maneira minha vida seguiu.
A minha saída foi manter a vibe também nos ouvidos. Apertei o play para Arlindão (Arlindo Cruz) e mantive a frequência ouvindo "O Bem".


quarta-feira, 26 de março de 2014

Cria!

Na ciranda da vida tudo é mudança
tudo está em movimento, em transformação
poucos sabem seu lugar
poucos percebem onde estão.

Numa semana estranha
mais uma vez me estranhei com algumas partes das vidas alheias.

Com o conflito, andarilhei na imensidão de mim e pude, mais uma vez enxergar, de quem sou cria!

Eis o motivo do estranhamento: ser um, originado de dois, todos em constante mudança.

Havendo somente na raiz forte, o norte: viver sem trapacear!

Disso que sou cria, deles que sou parte!