quarta-feira, 16 de abril de 2014

Isso aqui também é viver!

A menina Naya segurando o trabalho-arte de Débora Assunção.
Acordar ou pelo menos tentar. Terceiro dia seguido que o ritual é o mesmo: O celular na hora combinada me avisa, aos berros, que está na hora de levantar. O corpo entende e cumpre com o combinado, mas os olhos não, se recusam e não abrem.
Desde adquiri o filtro de sonhos que a vida na madrugada é a mesma, dormir, somente isso. Não há idas ao banheiro, ataques à geladeira nem pausas para sonhar ou acordar assustado após pesadelos. Conversas noturnas com amigos nas redes sociais faz parte do passado. Coincidentemente à aquisição do filtro, o ato de dormir se tornou apenas dormir.
As crianças dirão que é por causa do filtro; os adultos, que me livrei de algum problema. Mas e eu, o que acho? (Estou com os pequenos!).
Quando enfim os olhos resolveram coloborar, parti para minhas obrigações.
No momento em que percebi meus olhos abertos, fui em direção da janela, como de costume, para ver a vida enquanto tomava meu café da manhã.
De um lado carros, do outro uma bolha de calor, à frente pessoas caminhando para seus compromissos e atrás de mim, minha cama. Resisti e fui, como todo "ser normal", conquistar o pão nosso de cada dia. No entanto, diante do que vi pelo janelão da Demócrito, ir de carro seria inviável. Bicicleta? Ainda não quero virar pasta no asfalto. Transporte coletivo era a solução. Fone no ouvido e lá vou eu para meu dia atipico.
O ônibus não demorou, como de costume. Nada nesse dia foi "como de costume".
O coletivo veio cheio, mas não lotado e em poucos minutos estava vazio. Eu fui sentar-me no banco alto, como faz todo bom moleque. De lá podia ver o longo congestionamento a frente. Via também que o motorista do ônibus no qual eu estava, era um mescla de kamikaze com Ayrton Senna. Surpreendentemente ele não matou ninguém e só andou pelo lado da sombra.
Foi desse lado que senti aquela gostosa brisa matinal e natural que pensei ter sido extinta; que pude perceber um senhor sentado numa cadeira de rodas na frente do hospital pegando sol, enxerguei esse mesmo senhor tirando a camisa branca de doente após passar por ele um jovem marrombado, o senhor bateu no peito e exclamou: Aqui sim há saúde! O marrombado olhou e sorriu, assim como fizeram os enfermeiros que o acompanhavam. Ainda nesse longo parágrafo, pude ver uma família que quero para mim: marido e mulher sentados tendo em seus colos o casal de gêmeos. O menino logo me "deu legal", fazendo com que eu sorisse e respondesse da mesma maneira. Para a menina, que me olhava escondida, eu "dei tchau", a sua reação foi esconder-se de baixo das assas do pai impedindo que seu sorriso timido fosse visto por todos.
Mais adiante vi uma jovem deficiente visual parada esperando alguém vir ajuda-lá a atravessar a movimentada avenida. Eis que a ajuda veio. Um jovem que dirigia um carro, ligou o alerta, parou o carro e foi prestar-lhe-a ajuda. Ela abriu um enorme sorriso, enquanto isso, Ayrton Senna kamikaze, jogou o ônibus para a outra faixa para não colidir com o carro do jovem. Ambos ficaram por alguns segundos se encarando, enquanto isso, a jovem esperava ser conduzida até o outro lado. Naqueles longos segundos de duelo de faroeste, o motorista kamikaze respirou fundo, enxugou o suor do rosto e, para minha surpresa, ficou de pé para aplaudir o gesto do rapaz. Ao sentar-se, atravessou o ônibus na pista de maneira que a jovem pudesse ser conduzida até o outro lado tranquilamente.
Desta mesma maneira o jovem voltou para o carro e se foi. Desta mesma maneira o motorista passou a conduzir o transporte coletivo. Desta mesma maneira minha vida seguiu.
A minha saída foi manter a vibe também nos ouvidos. Apertei o play para Arlindão (Arlindo Cruz) e mantive a frequência ouvindo "O Bem".


quarta-feira, 26 de março de 2014

Cria!

Na ciranda da vida tudo é mudança
tudo está em movimento, em transformação
poucos sabem seu lugar
poucos percebem onde estão.

Numa semana estranha
mais uma vez me estranhei com algumas partes das vidas alheias.

Com o conflito, andarilhei na imensidão de mim e pude, mais uma vez enxergar, de quem sou cria!

Eis o motivo do estranhamento: ser um, originado de dois, todos em constante mudança.

Havendo somente na raiz forte, o norte: viver sem trapacear!

Disso que sou cria, deles que sou parte!




quarta-feira, 19 de março de 2014

Gratidão!

Todo dia é dia de aprender
basta querer
bastar estar atento aos sinais
basta estar conectado consigo.

Um novo significado para uma palavra antiga
uma nova utilização.

Após cada bom momento vivido ela surge sozinha e espontânea, como tudo na vida, e vem representando tudo de uma vez.

Eis aqui a Gratidão!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Camaleão.

São apenas pessoas.

Pessoas que comem outras coisas
Ingerem outros líquidos
Que se vestem diferente
Que veem outros belos e belas.

Distantes e próximas da minha realidade.

Outro jeito estranho de amar vivendo ou seria de viver amando?
- Sei não!

Nem melhor, nem pior
Apenas, há penas que camuflam seres que vivem sob a plumagem.

Mas, quem vive sem o fingimento normal de cada dia?


quarta-feira, 12 de março de 2014

More fire!

Ontem um conhecido
Hoje um amigo
Um amigo que ofereceu ajuda quando ainda era somente conhecido.

Muitos papos fluiram.

Uma realidade diferente: rum, coca sem gelo, bode assado oferecido por mãos sujas de carvão. Festas nas cidades vizinhas regadas por caras feias oriundas de rixas seculares entre duas famílias.

A vida de um caba que honra ser caba foi o que aprendi a respeitar.

- Não brinque com o que não se brinca.

- Mas e o resto?

- More fire!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Jaula!

(Crédito: Taryn Polieste)
Trezentos e pouco dias. Um após o outro. O suficiente para não completar o ano. O suficiente para quase completar o copo; pelo menos deveria ser assim, todavia, o que ocorre de fato é que o copo sempre transborda muito antes. Meses antes do Carnaval. Aí já viu né? Quando a festa chega...

Aquela enfim sai, enquanto está claro, beijando ela;

Que ontem estava no beco, não mais escuro, aproveitando tudo o que o verão tem para dar-lhe-a;

Nesse beco estavam aqueles que nunca tiveram coragem o suficiente para cheirar aquilo que aquelas meninas de sangue azul usam escondidas em seus closet's;

Closet's que alguns meninos se escondem, só saindo junto com os morcegos;

Morcegos pareciam mais aquelas meninas no alto da escadaria a sugar o néctar dos rapazes e moças;

Moças e rapazes, nesse momento, são conceitos retrógrados;

Retrógrado é aquele que anda por esse período sem algum adereço, que será "emprestado" após uma breve negociação boca a boca;

Boca a boca foi como se fumou e bebeu os mais variados líquidos;

Líquido e mais líquido foi o que transbordou daquele copo que agora encontra-se vazio. Pronto para 2014!

Não é assim que a jaula funciona?

Ano que vem tem mais!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Tu!

Vi um estanho e lembrei de ti.

Sem motivo aparente, você sorri.

Inclina-se para frente e para trás parecendo ninar-se.
Coloca as mãos no seio e diz: Aí meu Deus, eu vou mijar nas calças de tanto rir!
Coloca as mãos entre as pernas e diz: To ficando sem ar!
Aquele sorriso farto, aquele sorriso que não consegue conter-se, aonde anda?

Sem motivo aparente, ela sempre mostra os dentes e me deixa contente.