quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"Histórias Cruzadas".

Um filme, um recorte, uma visão foi o que me restou.

Foi tudo isso que vi nesta tarde; numa tarde que estava perdida, numa tarde de compromissos desmarcados ainda no primeiro tempo.

Eis aqui um preconceito que não feriu minha pele. Eis um preconceito que vejo minha mãe e irmão lutarem contra, que vejo minha irmã “deixar para lá” quando dá. Que muito ouvi papai comentar a respeito. Que sei que vó Paulo e vô Madá passaram na pele, porém, nunca os ouvi prosear a respeito.

Abaixar a cabeça, mudar de lugar, atravessar a rua, ser culpado graças ao tom da pele eram as notas que estavam na partitura da vida. Era? Vai saber. O que sei é que esse tom me fez quebrar as regras. Aqui está mais de um texto no mesmo dia. Um pequeno texto. Um texto que versa sobre algo que deveria estar preso no tempo. Deveria, pois se estivesse não estaria aqui, escrevendo e enxugando lágrimas.

Não passei por isso, não sou ativista, não quero mudar o mudo... então, o que quero com esse texto?


Continuar a minha caminhada, assim como Aibi, com lágrimas na cara, esperança no peito, lápis e papel; só isso. Continuar a caminhar e escrever acerca o que me faz ter esperança, o que me faz focar na parte bela da vida, assim como fez o criativo Guido em “A vida é Bela”. 

Toc toc toc...

­Uns gostam de gastronomia, outros de ler, aqueles de andar de bicicleta, as meninas de sair por aí e ela sabe o gosto de cada um presente nas salinhas.

Toda semana eu a encontro; ela, a música tranquila, suas onomatopeias e agulhas. Conversamos um pouco, normalmente sobre a minha vida e ela se vai por alguns minutos.

Durante esse tempo fico deitado fazendo tudo errado. Deveria estar relaxando, com a cabeça vazia, ouvindo a música, prestando atenção na respiração. Eu até consigo sentir o efeito de estar ali: fico zen! Entro em outra sintonia e passo a pensar na vida, na parte boa dela. As letrinhas começam a surgir em minha mente. Pronto! Mais um texto está sendo produzido lá. Lá a produção é em massa.

Até...

“Toc, toc, toc, toc, toc, toc”.

Já sei que ela está a caminho, seus sapatos – sempre com saltos – anunciam a sua chegada. Poucos segundos depois a luz é acesa e lá está ela sorrindo e eu aqui “tranquilão”.

Lá vou eu dar início a minha rotina louca. Saio tranquilo da saleta tranquila como se fosse um monge e assim permaneço o dia todo.

Obrigado moça!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Enquanto esperava uma amiga...

Quando esperamos alguém, fazemos de tudo para matar o tempo antes que ele nos mate, sendo assim, fui para o local onde o tempo não existe: shopping.
Olhar vitrines não é a minha praia, logo, fui para a praça de alimentação observar pessoas. Enxerguei algumas, vi outras, desconsiderei muitas mais até ela passar.
Não sei por qual motivo, mas ela me chamou atenção desde a sua chegada. Sentou alguns metros a minha frente. Sentou, me olhou e desde então não parou mais. Normalmente o encabulamento é inevitável, desta vez, isso não ocorreu. Fiquei a observa-lá e ela fazia o mesmo comigo. Ninguém escondia nada.
Depois de alguns minutos, ela, me olhando dentro dos olhos, se levanta e vem em minha direção. Senta-se na minha frente, na mesma mesa e diz:
- Oi!
Eu sorri e fiz o mesmo. Passamos a conversar e foi nesse momento que as cartas começaram a embaralhar.
De início era apenas uma mulher conversando com um homem, ambos estranhos, por isso era muito mais fácil ser transparente, afinal de contas, ninguém se conhece e tão pouco sabe se há algo de verdadeiro na prosa.
A cada assunto novo, ela mudava de personalidade: criança, adulto, pessoa idosa, medrosa, a frente de seu tempo, retrógrada, má, boa. Uma infinidade de pessoas vi dentro daquela mulher.
Eis que ela resolveu beber, queria uma cerveja para continuar a conversa. O que estava embaralhado começou a ser colocado em ordem.
Todas as suas personalidades começaram a convergir para uma. Esta uma era na verdade um mix de todas as outras e somente quando ela surgiu que toda conversa anterior passou a fazer sentido. Nesse momento de franqueza ela admitiu para si que, só está a vontade, só se assume, quando bebe ou quando está com ele, pena que ela o mandou embora; agora o que resta a ela é beber.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Whisky de caubói.

Negão, crioulo, preto;
Bicha, veado, sapatão;
Puta;
Tinha que ser branco;
Chinês, coreano, japonês, "é" tudo asiático, tem olho rasgado, pau pequeno e fede;
Paraíba ou cabeça chata;
Gordo, baleia;
Magrelo e varapau.

Quem nunca ouviu uma dessas palavras aqui dentro de casa? Dentro do Brasil.
Quem nunca pronunciou uma dessas palavras?

Preconceito existe meu brother, todo dia recebemos-o e praticamos-o. Não tem como fugir.

Agora ele é feio quando o outro pratica né? Incomoda quando é contra o nosso, agora irmão, que está longe. Pois, quando ele estava ao nosso lado, ele não era visto como irmão e nós o chamávamos carinhosamente de: negão, bicha, sapatão, paraíba, amarelo e muitos outros adjetivos gostosos de ouvir.

Acho válido a comoção, todavia, acho mais interessante chamar o viadinho, o paraíba, a puta, a sapatão, o gordinho e o magro pelo nome. Acho válido olhar o próprio cú a mostra do que depositar uma moeda no cofre alheio.

Mas, e o bom e velho "seu viado safado, quanto tempo"?

Deixa essa frase para os amigos de longa data, para aqueles que sairam no braço para defender o amigo "diferente" (preto, viado, puta, amarelo e afns), para o que de fato e de direito podem. Afinal, só é justificado esse; esse ocorre entre irmãos, as demais formas de carinho, é preconceito e mamãe disse que é feio praticá-lo sem um motivo justo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O salto.

Parado!
É assim que tudo está.
Ele a vê e nada faz.
Ela o vê e nada faz.
Basta ter álcool para ela se soltar.
Basta ter álcool para ela pular.
Basta ter álcool para ele se afastar.
Basta ter coragem para tudo se acertar.
Basta não saltar.
É só caminhar, isso basta!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Eu queria.

Eu queria escrever para pegar as gatinhas, mas é muito clichê.
Eu queria escrever para agradar você, nem sempre é possível.
Eu queria escrever para me agradar, seria mais fácil viver.
Eu queria escrever para fazer você mudar de ideia, mas não quero mudar nada em você.
Eu queria escrever para esquecer, esquecer o quê mesmo?
Eu queria escrever por você, mas você precisa aprender.
Eu queria escrever para...
Eu queria muita coisa!
O certo é que eu escrevo porque não consigo viver sem escrever.
"Se começar foi fácil, difícil vai ser parar!"*




Recife, 29/05/2013.
*"Vida rasteja" - O Rappa.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Efervecência

Eu não sou daqui
Na minha terra o lance é mais tranquilo
O lance é "calma brother, senta aí, toma mais uma. Acende essa parada aí e marca um dez"
Aqui o brother é véi
A calma não existe; o tempo é avexado
Enquanto eu vivo de borest, a galera aqui está de borest
Nem melhor, nem pior; só diferente
Eita diferença arretada de boa